Prefeitura de Mauá

Cultura e Arte | 31 de março de 2026

A mais tradicional premiação do teatro reconhece o talento de Eder Lopes, que foi aluno das Oficinas

“O teatro é coletivo e, de alguma maneira, este prêmio também se estende para a minha família”, diz o artista que destaca a importância de muitas pessoas em sua história


Ele chegou para a entrevista no foyer do Teatro Municipal de Mauá como quem conhecia muito bem o local. Afinal, se apresentou na inauguração, no dia 10 de dezembro de 2001, com “O Alto da Barca do Inferno”, com a Cia Quartum Crescente. Passos tranquilos, bermuda, camisa estampada e um olhar pleno acompanhado de um sorriso leve e solto. “Cheguei”, enviou no aplicativo de mensagens. Mas, nem precisava. Aquele rapaz tinha alguma coisa de diferente. E que diferente!!! Entrava ali Éder Lopes, um menino que cresceu no Jardim Campo Verde, na Zona Leste de Mauá, aluno das das Oficinas Culturais no começo dos anos 2000 e que agora, adulto, recebeu um dos mais importantes reconhecimentos do teatro nacional: o troféu do 36º Prêmio Shell de Teatro.

 

Sentado no banco da Pinacoteca de Mauá, Éder demonstra que ser vencedor do Prêmio Shell 2026, na categoria Figurino, o deixa orgulhoso, mas não soberbo. “Eu não imaginava que venceria”, revela humildemente. Ele explica que, no primeiro semestre do ano passado, o espetáculo ‘Pai contra Mãe ou Você Está Me Ouvindo’, do Coletivo Negro de Teatro, estava sendo apresentado no SESC Consolação. Na plateia estava a comissão de julgadores formada por especialistas, artistas, pesquisadores e profissionais, que assistiu às peças que seriam indicadas às premiações da temporada 2025. Com isso, o espetáculo recebeu duas indicações: Jé Oliveira, para melhor Direção, e Éder Lopes, melhor Figurino.

 

“O teatro é coletivo e, de alguma maneira, este prêmio também se estende para a minha família”, disse. Em suas memórias afetivas está a imagem da mãe, Nininha Lopes, que também foi a costureira do figurino do espetáculo. Ele se lembra aos pé dela na infância, enquanto ela trabalhava na máquina de costura e ele crescia entre tecidos e aviamentos. Éder também se lembra dos amigos que partilharam a paixão pelo teatro a partir da vivência nas Oficinas Culturais de Mauá, que completarão 30 anos brevemente. As aulas eram na Casa da Juventude. “As pessoas me mandaram mensagens parabenizando pela premiação, várias se sentindo parte da trajetória desde os primeiros passos”, disse o ator e figurinista. Ele cita seu primeiro professor, Ronaldo Moraes, também fazia cenários, é figurinista, artista visual, produtor e bailarino, que dava as aulas de Artes Plásticas. “A gente ia para festivais de teatro. Eu ajudei a construir a primeira sede da Quantum Crescente, onde fiquei cinco anos”, recorda.

 

Éder Lopes também fez a Escola Livre de Teatro de Santo André, onde propôs seus primeiros figurinos. Agora, ele deseja que a premiação possa gerar bons projetos para a sua carreira. “Fortalece a autoestima de modo geral, mas não muda meus princípios que são baseados no teatro de grupo, que não costuma acessar estes espaços - de premiação”, explica. “É possível viver de arte, mas é necessário muito trabalho e muita dedicação, além de muita pesquisa e muita dedicação, e fazer outras coisas, como dirigir, cenário, atuar e produzir. Além da paixão que me mantém no teatro. Se não continuasse apaixonado, já teria abandonado”, avalia.

 

A Mensagem que Éder Lopes nos deixa é que é extremamente importante continuar difundindo o teatro, realizar festivais, mostras, para ter o teatro como um bem comum, como algo que reflete em saúde, cidadania, crescimento pessoal e conhecimento. A Cultura é a base para a cidadania”, afirma o ator.

 

Título:

Pai contra Mãe ou Você está me Ouvindo?

 

Sinopse:

O espetáculo parte do conto

Pai contra Mãe, de Machado de Assis, para criar um dialogo entre passado e presente, e refletir os ecos da escravidão no Brasil contemporâneo.

 

FIcha técnica:

 

Idealização, Concepção, Dramaturgia e Direção Geral | Jé Oliveira

 

Atuação | Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues e Raphael Garcia

 

Assistência de Direção | Rodrigo Mercadante

 

Direção de Movimento e Coreografia | AyshaNascimento

 

Direção Musical | Guilherme Kastrup e Jé Oliveira

 

Videografia | Bianca Turner

 

Figurinos | Éder Lopes

 

Desenho de Luz | Matheus Brant

 

Cenografia | Flávio Rodrigues

 

Engenharia e Operação de Som | Tomé de Souza

 

Preparação de Canto | William Guedes

 

Banda:

 

Baixo Acústico e Elétrico, Sopros e Voz | Lua Bernardo

 

Cordas - Guitarra Afro-Atlântica, Bandolim e Voz | Maurício Pazz

 

Percussão,Bateria, SPD e Voz | Thiago Sonho

 

Assistência e Operação de Luz | Aline Sayuri

 

Costureira | Nininha Lopes

 

Contrarregragem |  Flávio Serafin/ Helen Lucinda

 

Cenotécnico | Wanderley Wagner / China / Billy / Flávio Serafin

 

Serralheiro | Mauricio Batista

 

Composições Originais | Jé Oliveira e Jonathan Silva

 

Arranjos | Guilherme Kastrup, Jé Oliveira, Lua Bernardo, Maurício Pazz e Thiago Sonho

 

Participação em vídeo | Lilian Regina e Sidney Santiago Kuanza

 

Estudos teóricos e oficinas | Aysha Nascimento, Flávio Rodrigues, Jé Oliveira e Raphael Garcia

Fotos | Marcelle Cerutti

Identidade Visual | Murilo Thaveira

Produção Executiva | Catarina Milani

Assistência de Produção | Éder Lopes

Produção Geral | Gira Pro Sol Produções – Jé Oliveira

 

Realização | Coletivo Negro


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