Diante do avanço antecipado da gripe no Brasil em 2026, a Prefeitura de Mauá decidiu intensificar a busca ativa por públicos prioritários para vacinação contra a Influenza, com foco especial nas gestantes – um dos grupos mais vulneráveis às complicações da doença. A estratégia foi definida durante reunião do Comitê AVAQ (Atividades de Vacinação de Alta Qualidade) realizada na sede da Secretaria Municipal de Saúde, nesta quarta-feira (15).
O cenário epidemiológico nacional acende o alerta. Dados do Ministério da Saúde indicam que, até o fim de março, o país já havia registrado mais de 24 mil notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com aumento expressivo nas internações. A circulação predominante do vírus Influenza A, especialmente da cepa H3N2, e o crescimento significativo de casos graves em relação ao mesmo período do ano anterior levaram o governo federal a antecipar a campanha de vacinação em todo o país.
Em Mauá, a preocupação segue a mesma tendência. Embora os dados locais ainda estejam em consolidação, a Secretaria de Saúde confirma aumento nos registros de síndrome gripal em comparação a 2025, incluindo a ocorrência de um óbito infantil, o que reforça a necessidade de ampliar a proteção da população.
Apesar de o município manter ritmo considerado satisfatório na aplicação de doses – 23 mil até o momento, o que equivale a 24% do grupo prioritário a ser imunizado em rotina –, o desafio está em ampliar a cobertura vacinal, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. Em 2025, Mauá imunizou 118.946 pessoas contra a gripe – pouco mais de 50% do público-alvo composto por crianças e idosos. A meta do Ministério da Saúde é atingir pelo menos 90% de cobertura nesses grupos.
Entre as gestantes, o cenário é ainda mais preocupante. No ano passado, apenas 33% desse público foi vacinado. Em 2026, os números preliminares indicam baixa adesão. Durante o Dia D de vacinação, realizado no fim de março, apenas 140 grávidas procuraram as 23 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), apesar de a rede municipal acompanhar cerca de 1.500 gestantes em pré-natal.
Gerente da Vigilância Epidemiológica de Mauá, Kelly Cristina Del Ré alerta para os riscos da baixa cobertura vacinal e o impacto da desinformação. “A preocupação é com os grupos prioritários, compostos por pessoas mais suscetíveis a complicações. Precisamos combater as fake news, que ainda representam grande obstáculo. São muitas informações falsas que prejudicam um serviço gratuito, seguro e essencial para salvar vidas. Nosso foco é alcançar justamente quem mais precisa e também é mais vulnerável às formas graves da doença”, afirmou.
Kátia Navarro Watanabe, secretária adjunta de Saúde, destaca que a estratégia de busca ativa será ampliada para outros públicos prioritários, integrando diferentes frentes de atuação. “Vamos intensificar o trabalho com gestantes, mas também reforçar a vacinação de pacientes acamados atendidos pelo Serviço de Atendimento Domiciliar e de idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência. Além disso, teremos ações específicas voltadas a outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde”, explicou.
A vacinação contra a Influenza é considerada uma das principais medidas de prevenção contra complicações respiratórias graves, especialmente entre idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades. Estudos do próprio Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde apontam que a imunização reduz significativamente o risco de hospitalizações e mortes associadas ao vírus.
O Comitê AVAQ, responsável por definir as estratégias locais, atua de forma integrada no planejamento, coordenação e monitoramento das ações de imunização. O colegiado reúne representantes de diferentes secretarias municipais e também do governo estadual, com foco em elevar os índices de cobertura vacinal.
A próxima reunião do grupo está prevista para o início de agosto, quando serão avaliados os resultados das ações em andamento. “A meta é aproximar ao máximo da cobertura de 90% entre os grupos prioritários. Isso exige planejamento, mobilização e, principalmente, conscientização da população sobre a importância da vacina, que é segura, gratuita e atualizada anualmente para proteger contra as cepas mais circulantes do vírus. Ou seja, é a principal forma de prevenção”, concluiu Kelly.
A cada campanha anual contra a Influenza, o Ministério da Saúde define os chamados grupos prioritários para receber as doses. Tratam-se de pessoas com maior risco de desenvolver complicações graves, internações e mortes em decorrência da gripe. Esses públicos são os principais focos das estratégias de vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS). E são formados, de maneira geral, por:
– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias);
– Gestantes (em qualquer idade gestacional) e puérperas (mulheres até 45 dias após o parto)
– Idosos com 60 anos ou mais
– Trabalhadores e grupos estratégicos (pessoas que atuam na saúde, na educação, forças de segurança e salvamento
– Pessoas com comorbidades, o que inclui indivíduos com condições que aumentam o risco de complicações, como doenças cardíacas e respiratórias crônicas, diabetes, obesidade grave e imunossupressão, entre outras
– Pessoas com deficiência permanente
– Outros grupos específicos, formados por caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo rodoviário, trabalhadores portuários, população privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, povos indígenas e pessoas em situação de rua.
A imunização contra a Influenza está disponível na rede municipal de Mauá de segunda a sexta-feira, em todas as 23 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para receber a dose, é necessário apresentar documento com foto e, se possível, a carteirinha de vacinação. A aplicação ocorre a partir das 8h, com horários de encerramento que variam conforme a unidade: Flórida, Magini, São João e Zaíra 2 atendem até as 20h; Primavera e Sônia Maria vacinam até as 18h; e as demais unidades encerram a imunização às 16h30.
