Prefeitura de Mauá

Saúde | 22 de abril de 2026

Quando a vida volta em forma de gratidão

Paciente retorna ao Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini e emociona profissionais ao agradecer pelo atendimento que salvou sua vida após um AVC


As lágrimas de Valdiran Rocha Santos já não cabiam mais no silêncio. Elas romperam assim que seus pés tocaram novamente a calçada do Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini. As mãos, levemente trêmulas, carregavam marcas que iam além das sequelas de um AVC — eram sinais vivos de quem voltou para agradecer àqueles que, em meio à rotina intensa, fizeram do cuidado uma missão.

Não era apenas um retorno. Era um reencontro com a vida. Com os corredores que testemunharam a urgência, o medo e, sobretudo, a esperança. Com rostos que, para muitos, passam despercebidos na pressa do dia a dia, mas que, para Valdiran, se tornaram inesquecíveis. Do atendimento na emergência à alta hospitalar, cada etapa foi marcada por uma rede silenciosa de profissionais que sustentam, diariamente, histórias que quase se perdem entre prontuários e plantões.

No dia 15 de março de 2026, Valdiran deu entrada no hospital após sofrer um AVC isquêmico. Foram dias de incerteza, de intervenções rápidas e decisões que não podiam esperar. Em poucas horas, o tempo parecia suspenso entre a fragilidade e a urgência. Mas foi justamente nesse intervalo crítico que a precisão médica e o cuidado humano fizeram a diferença.

Nesta quarta-feira, 15 de abril, ao subir novamente ao 6º andar, a emoção transbordou. Um a um, ele fez questão de abraçar aqueles que estiveram ao seu lado: médicos, enfermeiras, auxiliares, fisioterapeutas. Profissionais que, para ele, deixaram de ser apenas funções e se tornaram parte de uma história de recomeço.
 


“É emocionante para eu estar aqui falando”, disse, com a voz embargada. “A forma que eu cheguei não estava nada bem. E hoje, voltar e poder agradecer.. isso não tem preço.”

Valdiran relembrou o momento do atendimento inicial, destacando a orientação decisiva do médico que o atendeu ainda na emergência. A escolha por permanecer na cidade, em vez de buscar outro serviço, foi determinante para a rapidez do tratamento. “Em pouco tempo eu já estava aqui. E isso fez toda a diferença”, contou.

Entre lapsos de memória e a confusão natural de quem enfrenta um quadro neurológico, ele carrega uma certeza: o cuidado recebido foi além do técnico. “Eu me senti confortável com vocês. Muito bem tratado. Isso a gente não esquece.”

O agradecimento, no entanto, foi além da experiência pessoal. Com a sensibilidade de quem já atuou na área da saúde, Valdiran fez questão de reconhecer o papel silencioso desses profissionais na vida de tantas famílias. “Vocês têm um privilégio que muitas famílias gostariam de ter: estar ao lado de alguém em momentos que ninguém mais pode estar. Muitas vezes, vocês são presença quando o mundo lá fora não consegue chegar.”
 


Em meio à rotina exaustiva dos hospitais públicos, onde a sobrecarga muitas vezes fala mais alto que o reconhecimento, histórias como a de Valdiran servem como respiro — e lembrança. Lembrança de que, por trás de cada atendimento, há vidas sendo reconstruídas. Há laços sendo criados. Há humanidade pulsando.

“Trabalhem por amor”, pediu ele, com a voz firme apesar da emoção. “O dinheiro faz parte, mas não paga isso aqui.”

Ao deixar o hospital, desta vez caminhando com mais firmeza, Valdiran levou consigo mais do que a recuperação física. Levou a certeza de que, em meio a tantas dificuldades, ainda existem lugares onde o cuidado é, acima de tudo, um ato de entrega.

E, para quem ficou, talvez tenha ficado também algo raro na correria dos plantões: a lembrança de que, mesmo quando não são vistos, eles fazem diferença — e salvam não só vidas, mas histórias inteiras.


Crédito das fotos: André Henriques/DGABC

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