Mauá reúne lideranças religiosas para dialogar sobre saúde mental e valorização da vida

Encontro reuniu cerca de 130 participantes e encerrou programação do Setembro Amarelo no município

30 de setembro de 2026 3 minutos de leitura 19 visualizações

A Prefeitura de Mauá reuniu cerca de 130 pessoas, entre lideranças religiosas, profissionais da saúde, autoridades e convidados, na noite desta terça-feira (29), no Teatro Municipal, para dialogar sobre saúde mental e valorização da vida. A atividade encerrou a programação do Setembro Amarelo no município e teve como objetivo aproximar as comunidades de fé da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Durante o encontro foram apresentados os serviços municipais de saúde mental e os caminhos de acesso à rede pública, além da importância do acolhimento, da escuta e da orientação para a busca de atendimento profissional em situações de sofrimento psíquico. 

A diversidade de participantes permitiu o compartilhamento de experiências e perspectivas sobre o acolhimento de pessoas e famílias, os limites e as possibilidades da atuação das comunidades de fé e a importância do encaminhamento aos serviços de saúde quando houver necessidade de acompanhamento profissional.

Secretária municipal de Saúde, Eliene de Paula Pinto destacou a importância da integração entre os serviços públicos e as comunidades. “Saúde também é escuta, vínculo e acolhimento. As lideranças religiosas exercem papel importante em suas comunidades e podem contribuir para identificar situações de sofrimento e orientar a busca pelos serviços de saúde quando necessário”, afirmou.

A programação contou com a intervenção artística ‘Uma estratégia socioeducativa sobre prevenção ao suicídio’, apresentada por Railson Ubunttu, do Projeto Nutrarte. A peça ‘Sobre-viver’ abordou, por meio do teatro, temas relacionados ao sofrimento humano, à valorização da vida e à busca por apoio em situações de crise.

Também foi realizada palestra com o médico psiquiatra Maurício Silveira Garrote, do CAPS Adulto III Primavera, sobre ‘Sofrimento Humano, Espiritualidade e Prevenção ao Suicídio: Diálogos e Interfaces’. A atividade discutiu a relação entre sofrimento psíquico, espiritualidade e cuidado especializado.

O público ainda pôde conhecer trabalhos artísticos produzidos por usuários dos CAPS. Entre os destaques esteve o ‘lixossauro’, escultura produzida com caixas descartadas de medicamentos psicotrópicos, que propôs reflexão sobre descarte adequado de resíduos, consumo consciente e responsabilidade ambiental.

O encerramento contou com a roda de conversa ‘O papel das comunidades religiosas no acolhimento ao sofrimento mental’, com representantes das tradições anglicana, candomblecista, católica, espírita, evangélica e umbandista.

A iniciativa foi apresentada por Adriana Tábata, gerente da RAPS, que desenvolveu proposta semelhante em Marabá (PA), quando atuava como gestora de CAPS. “Essa experiência foi realizada pela primeira vez em 2018, e teve receptividade muito positiva. Ao trazê-la para Mauá, buscamos adaptar a proposta à realidade do município e fortalecer o diálogo entre as comunidades religiosas e a rede de saúde mental, criando caminhos para que mais pessoas sejam acolhidas e orientadas quando precisarem de ajuda.”

Gerente de Saúde Mental de Mauá, Jorge Luiz Silva Vieira ressaltou que a proposta é fortalecer a articulação entre as comunidades e os serviços públicos. “A proposta não é substituir o cuidado profissional, mas construir pontes entre as redes comunitárias e a política pública de saúde. Queremos que a pessoa em sofrimento seja acolhida, ouvida e, quando necessário, orientada a procurar o serviço adequado”, afirmou.

Em Mauá, as ações de promoção da saúde mental e prevenção ao suicídio são realizadas durante todo o ano nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nos Centros de Atenção Psicossocial e nos serviços de urgência e emergência do município.


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