Saúde de Mauá prepara plano de contingência para possíveis eventos climáticos extremos
Secretaria amplia mapeamento da rede e da população vulnerável para estruturar resposta a situações em caso de emergência humanitária
A Secretaria de Saúde de Mauá prepara plano de contingência para fortalecer a capacidade de resposta da rede municipal diante da possibilidade de eventos climáticos extremos associados ao fortalecimento do ‘El Niño’. A estratégia prevê ações antecipadas para situações como calor e chuva intensos, enchentes, deslizamentos, interrupções prolongadas de energia, danos à infraestrutura e deslocamento de moradores.
O assunto voltou a ser discutido internamente nesta sexta-feira (28) pela Sala de Situação de Eventos Climáticos, grupo formado por gestores de diferentes áreas da Saúde. Durante a reunião, as coordenadorias apresentaram diagnóstico da estrutura disponível, o mapeamento de riscos e vulnerabilidades e alternativas para ampliar temporariamente o atendimento caso uma situação de emergência provoque aumento da demanda.
O planejamento considera projeções de centros de monitoramento climático que apontam para o fortalecimento do ‘El Niño’ a partir de setembro, com possibilidade de episódio muito forte entre a primavera e o verão. Embora os impactos do fenômeno possam variar regionalmente e não seja possível determinar antecipadamente a ocorrência de um evento específico em Mauá, a Secretaria de Saúde trabalha com o princípio da prevenção e da preparação para cenários de maior gravidade.
“Não vamos esperar a crise acontecer para começar a pensar no que fazer. Temos de estar organizados para agir com rapidez diante de situações extremas. Precisamos considerar o pior cenário para que, se ele vier, estejamos preparados para minimizar riscos e salvar vidas”, afirma Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde.
Entre as medidas em avaliação está a capacidade de manter o abastecimento de medicamentos e insumos, com análise dos estoques, fluxos de distribuição e alternativas de reposição diante de eventuais dificuldades logísticas.
Também é analisada a possibilidade de ampliação temporária das capacidades de atendimento do Hospital de Clínicas Dr. Radamés Nardini, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), além da utilização de espaços para possíveis instalações de postos volantes e reforço da capacidade de resposta do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A proposta é que, em uma ocorrência de grandes proporções, o município tenha alternativas previamente avaliadas e definidas, com condições de ampliar a assistência de emergência e urgência com maior rapidez.
A manutenção dos serviços essenciais é outro eixo do plano. Estão sendo considerados geradores e equipamentos necessários para preservar o funcionamento de estruturas críticas, especialmente as câmaras frias utilizadas na conservação de vacinas e medicamentos, em caso de interrupção prolongada do fornecimento de energia.
O setor de Vigilâncias em Saúde terá papel estratégico no monitoramento dos riscos associados a enchentes e alagamentos, incluindo possíveis problemas relacionados à contaminação e à qualidade da água, doenças transmitidas por vetores e outros agravos.
O planejamento ainda considera os efeitos que podem surgir pós-evento, como aumento de doenças respiratórias, descompensação de doenças crônicas, sofrimento psíquico, interrupção de tratamentos e dificuldades de acesso a medicamentos. “A emergência humanitária não termina quando a chuva para ou a água baixa. Nosso plano precisa considerar todo o ciclo”, ressalta Eliene.
A expectativa da Secretaria Municipal de Saúde é consolidar na próxima semana as informações levantadas pelas diferentes coordenadorias, incluindo capacidade instalada, vulnerabilidades, necessidades e possibilidades de expansão dos serviços. O material será utilizado para concluir o plano de contingência da Saúde, o qual integrará a estratégia municipal de preparação ao desafio e subsidiar o encaminhamento das informações à Secretaria de Estado da Saúde.
“A ideia é chegar à sala de crise do governo municipal com as informações já organizadas. Planejar com antecedência significa ter condições de solicitar recursos e apoio no momento certo. Quanto mais preparados estivermos, maior será nossa capacidade de resposta. Trata-se de uma questão de responsabilidade com a população”, destaca Eliene.