Servidores de Mauá dialogam sobre Cidades Sustentáveis frente às mudanças climáticas

Atividade destaca a importância do trabalho integrado para potencializar resultados em benefício da população

2 de setembro de 2026 4 minutos de leitura 42 visualizações

A chegada do fenômeno natural El Nino, causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, deverá provocar na região temporais com magnitude de ventos fortes, prejuízos à infraestrutura das cidades e sem garantir a regulação dos reservatórios de captação de água. A Prefeitura de Mauá já está numa organização avançada sobre as medidas a serem tomadas para mitigar o impacto das potenciais ocorrências no dia a dia da população.

Nesta segunda-feira (31/08), a coordenadora do programa Cidades Sustentáveis, Zuleica Goulart, discorreu para servidores de vários setores da Prefeitura de Mauá s sobre indicadores importantes para a cidade que refletem a organização do município para o enfrentamento das mudanças. A plataforma Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades - Brasil (IDSC-BR) faz parte de uma série de relatórios produzidos pela Sustainable Development Solutions Network (SDSN) para acompanhar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nos 193 países membros da ONU. O IDSC traz indicadores municipais e mais amplos que avaliam a capacidade das cidades de enfrentarem os efeitos da Emergência Climática e as boas práticas desenvolvidas por elas. “O indicador é a evidência da política pública, mas por si não expressa a realidade da população. É preciso pensar a política pública de acordo com o diagnóstico, com a população, com as desigualdades”, explica a pesquisadora.

A afirmação teve por base o panorama apresentado pelo gestor Sebastião Marcial, da Secretaria de Assistência Social, que abordou  que determinadas comunidades acumulam índices de ocupação humana superiores a outras e com características bastante específicas. O gestor afirmou que o Plano Municipal de Redução de Riscos, elaborado de forma muito criteriosa e detalhada, vai colaborar na atualização do Plano Municipal de Contingência para o período de mudanças climáticas que se aproxima. “É preciso entender que o impacto causado pelo El Nino e pela Emergência Climática afeta a população de forma desigual e isso precisa ser considerado. Temos 19.500 famílias em situação de pobreza, sendo que 58% são lideradas por mães-solo, então é preciso estar atentos aos recortes, por exemplo, que sujeitam ao que chamamos de “injustiça territorial”, afirmou Marcial.

Para a secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, Cida Maia, já é uma cultura na administração municipal o diálogo e contribuição intersecretarial. “Nós temos, por exemplo, um diálogo com a Defesa Civil, para desenvolvermos trabalho conjunto na questão da violência contra a mulher nas áreas vulneráveis. E isso se mostra cada vez mais importante”, disse a secretaria, cujo planejamento também envolve análise dos registros de ocorrências.

O secretário-adjunto de Meio Ambiente, Rogério Santana, manifestou a preocupação do município em estar atento à Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), um pacto supra-nacional de enfrentamento dos principais problemas globais e  destacou o empenho municipal com a preservação e reflorestamento, como forma de mitigar o desequilíbrio da Natureza numa região essencialmente industrial e urbana. “A Prefeitura de Mauá vem tratando o enfrentamento da emergência climática de forma integrada, por meio de ações de planejamento, ampliação da cobertura vegetal, recuperação ambiental, redução de riscos, fortalecimento da governança climática e captação de recursos externos”, afirmou Santana.

Para enfrentar o aumento das temperaturas, estão previstos o fornecimento itinerante de água para a população, onde há ilhas de calor e facilitação de acesso para hidratação em serviços municipais; ampliar os mecanismos de atendimento à população vulnerável para promover conforto climático. Entre 2021 e 2025, o município realizou o plantio de mais de 22 mil árvores e a ampliação da cobertura vegetal constitui uma das principais estratégias municipais para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, contribuindo para a redução das ilhas de calor, aumento da infiltração das águas pluviais, estabilização do solo, melhoria da qualidade do ar, conservação da biodiversidade e aumento da resiliência urbana frente aos eventos climáticos extremos. A Prefeitura instituiu o Comitê Municipal de Enfrentamento às Mudanças Climáticas e estabelece diretrizes para o desenvolvimento de políticas públicas e está atualizando o Censo Arbóreo Municipal. Na área de recuperação ambiental, o município teve aprovado junto ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO) o projeto "Recuperação e Preservação Ambiental das Nascentes do Rio Tamanduateí Localizadas no Parque Ecológico Gruta de Santa Luzia e Áreas Próximas do Rio Tamanduateí”, para proteção dos recursos hídricos, recuperação de áreas degradadas, redução dos processos erosivos, aumento da infiltração da água no solo e fortalecimento da resiliência ambiental do município. Além dessas iniciativas, a Prefeitura realiza de forma permanente ações de manejo e manutenção da arborização urbana, monitoramento de áreas de risco, limpeza e manutenção dos sistemas de drenagem, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental, fortalecendo a capacidade de resposta do município diante de tempestades, ventanias e demais eventos climáticos severos.

Silvia Duarte MTb 2565

Fotos: Evandro Oliveira


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