Secretaria de Saúde de Mauá promove roda de conversa para tratar do Setembro Amarelo

Encontro reuniu dezenas de profissionais em ação que integra calendário permanente de ações de cuidado com servidores da área administrativa da Pasta

11 de setembro de 2026 4 minutos de leitura 28 visualizações

A Secretaria de Saúde de Mauá promoveu nesta sexta-feira (11) roda de conversa sobre o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre prevenção do suicídio e promoção da saúde mental. Realizada em dois horários diferentes para não prejudicar o fluxo de trabalho, a atividade reuniu dezenas de servidores da sede administrativa da pasta em momentos de escuta, reflexão e acolhimento.

 

A iniciativa integra calendário permanente de ações internas implantado pela Secretaria neste ano com o objetivo de ampliar para os próprios trabalhadores as campanhas e os temas de promoção da saúde tradicionalmente voltados à população. A proposta é realizar atividades relacionadas a assuntos como saúde mental, prevenção de doenças e qualidade de vida, fortalecendo a política institucional de desenvolvimento humano e profissional.

 

Coordenadas pela equipe de Educação Permanente (EP), as ações partem do princípio de ‘cuidar de quem cuida’. A ideia é criar espaços nos quais os profissionais possam falar sobre sentimentos, compartilhar experiências, ampliar conhecimentos e fortalecer vínculos no ambiente de trabalho.

 

“Quem trabalha na saúde passa os dias cuidando de outras pessoas e também precisa ser cuidado. Queremos que essa atenção faça parte da nossa rotina institucional, não apenas em campanhas específicas. Criar espaços de escuta, informação e acolhimento é uma forma de valorizar nossos trabalhadores e fortalecer toda a rede”, afirma Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde.

 

A roda de conversa foi conduzida pela psicóloga Roberta Souza, professora da Anhanguera e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e saúde mental. O encontro abordou o Setembro Amarelo de maneira aberta, com foco na promoção da saúde, na identificação de sinais de sofrimento e na importância de acolher pessoas que estejam passando por momentos de crise.

 

Segundo Roberta, falar sobre suicídio de forma responsável não significa estimular o comportamento. Ao contrário, o diálogo pode contribuir para romper tabus e permitir que situações de sofrimento sejam percebidas e encaminhadas para ajuda, segundo ela. “Existe muito medo de falar sobre suicídio, mas o silêncio não resolve o problema. Precisamos abordar o tema com responsabilidade, sem julgamentos e sem transformar a dor do outro em motivo de vergonha. Muitas vezes existem sinais e comportamentos que podem ser percebidos por quem está próximo. A escuta é uma forma importante de cuidado”, explica.

 

A psicóloga também chamou atenção para a necessidade de evitar frases que minimizem o sofrimento ou interpretem manifestações de ideação suicida como ‘chamadas de atenção’. Para ela, qualquer relato dessa natureza deve ser levado a sério e receber acolhimento e encaminhamento adequados. “Quando alguém diz que não aguenta mais ou manifesta pensamentos de morte, não devemos julgar ou questionar a legitimidade daquela dor. Precisamos ouvir, acolher e ajudar essa pessoa a chegar ao atendimento de que necessita. A prevenção começa quando deixamos de tratar o sofrimento como algo que deve ser escondido”, acrescenta Roberta.

 

A atividade desta sexta-feira foi antecedida por ação realizada desde o início do mês. Painéis foram instalados nos setores da sede da Secretaria para que os trabalhadores pudessem registrar anonimamente sentimentos e percepções. O material foi reunido e encaminhado à psicóloga, servindo de subsídio para a conversa.

 

Outra dinâmica, chamada ‘correio de cuidado’, convidou os participantes a escrever uma frase que gostariam de receber em um dia difícil. As mensagens foram utilizadas para estimular a reflexão sobre empatia e apoio entre colegas. No encerramento, os trabalhadores foram convidados a um abraço coletivo como gesto simbólico de acolhimento e de reforço à mensagem de que ninguém precisa enfrentar sozinho momentos de sofrimento.

 

A avaliação dos participantes foi positiva. Entre as palavras utilizadas para definir a experiência estavam ‘satisfatória’, ‘acolhedora’, ‘necessária’, ‘aprendizado’, ‘desabafo’ e ‘reflexão’.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que ambientes de trabalho promovam a saúde mental e adotem medidas para reduzir riscos psicossociais, combater o estigma e ampliar o acesso ao apoio necessário. Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, mas que pode ser prevenido por meio da identificação de sinais de alerta e da busca por ajuda.

 

Em situações de sofrimento emocional intenso ou risco de suicídio, a orientação é procurar uma unidade de saúde ou serviço de urgência. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.


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