Nesta sexta-feira (15), a Arena Chicão, no Jardim Zaíra, em Mauá, reuniu cerca de 100 pessoas ao longo do dia para série de partidas amistosas de futsal entre equipes formadas por usuários dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Mauá, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Durante a manhã, as equipes — formadas por homens e mulheres — disputaram jogos em ambiente marcado pela integração. Todos os jogadores receberam medalhas de participação. Segundo os organizadores, o torneio não teve caráter competitivo, mas sim terapêutico e de fortalecimento dos vínculos sociais. À tarde, a Arena Chicão continuou aberta para atividades recreativas e momentos de convivência aos participantes.
O Ginásio Poliesportivo Francisco Eufrásio de Oliveira, inaugurado em dezembro de 2025, representa importante investimento em esporte, cultura e lazer para Mauá e, em especial, ao Jardim Zaíra, bairro mais populoso do município, oferecendo à população um espaço moderno e estruturado para atividades comunitárias.
"Trata-se de promoção de vida, de saúde, por meio do esporte. É também uma maneira de inclusão aos usuários que muitas vezes não tem acesso a certos locais como outros cidadãos. Quando colocados em uma estrutura como essa, do ginásio, eles se sentem pertencentes à sociedade. É a cidadania plena", afirmou o psicólogo Luan Vinícius, um dos responsáveis pelo evento. "Além disso, há a fato de ocuparmos espaços neste momento de conscientização e luta contra os manicômios, o preconceito e a segregação", acrescentou.
Assistente de Saúde no CAPS Primavera e também um dos organizadores dos jogos amistosos, Marcio Pereira destacou a importância da atividade. "É muito significativo e extremamente importante mostrar a essas pessoas que elas podem fazer outras coisas e ocupar diferentes locais. Que a vida delas não está restrita ao CAPS" explicou.
Competição
Ainda em razão do mês da luta antimanicomial, o CAPS III Adulto Primavera promove sua 1ª Copa. A programação reúne usuários e trabalhadores do serviço em atividades como dominó, dama, palitinho, sinuca e gincanas, reforçando autoestima, pertencimento e participação social.
O encerramento está marcado para o próximo dia 22, quando serão realizadas as finais das modalidades e a cerimônia de premiação. Todos os participantes receberão medalhas em reconhecimento à participação e às trajetórias construídas dentro do serviço, enquanto os vencedores de cada modalidade serão homenageados pelo desempenho ao longo da competição.
Mais do que uma disputa esportiva, a proposta foi pensada como espaço de encontro, expressão e valorização das potencialidades de cada participante. A iniciativa foi organizada pelos monitores de oficinas terapêuticas Thiago Almeida e Vinícius Salvador e dialoga diretamente com os princípios da reforma psiquiátrica brasileira e do cuidado em liberdade, defendidos pelo movimento antimanicomial.
"Promovemos cuidado em saúde mental pelo vínculo, autoestima, convivência, autonomia e pertencimento social. Mais do que atividades esportivas e de lazer, são formas de cuidado que resgatam dignidade, afeto e humanidade, fortalecendo a vida para além do diagnóstico", afirmou Thiago.
Celebrado em 18 de maio, o Dia Nacional da Luta Antimanicomial relembra o histórico Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental realizado em 1987, em Bauru (SP), marco da mobilização por um modelo de atenção humanizado, comunitário e contrário ao isolamento de pessoas com sofrimento psíquico.
Desde então, o movimento defende o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), o respeito aos direitos humanos e a inclusão social dos usuários dos serviços de saúde mental.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno mental, cenário que reforça a importância de estratégias de cuidado que ultrapassem o atendimento clínico tradicional e incorporem convivência, escuta, participação social e fortalecimento comunitário.
Gerente do CAPS III Adulto Primavera, Andrea Aparecida Gesteira Vitale destaca que as atividades coletivas têm papel fundamental no processo terapêutico desenvolvido pela equipe. “A criação de espaços de convivência, troca e alegria também faz parte do cuidado em saúde mental”, afirmou. "O cuidado em liberdade se constrói no cotidiano, nas relações e no reconhecimento das potencialidades de cada sujeito. Quando promovemos atividades coletivas, estamos reafirmando direitos, fortalecendo vínculos e mostrando que a saúde mental também passa pelo acolhimento e pela participação comunitária”, completou.
A expectativa é que a Copa passe a integrar o calendário anual de atividades do CAPS III Adulto Primavera, ampliando os espaços de socialização e fortalecendo práticas terapêuticas coletivas voltadas à inclusão e à cidadania.
