Em alusão ao mês da luta antimanicomial, o CAPS III Adulto Primavera, em Mauá, promove sua 1ª Copa, iniciativa que une esporte, convivência e práticas terapêuticas como ferramentas de cuidado em saúde mental. Realizada entre os dias 29 de abril e 6 de maio, a programação envolveu usuários e trabalhadores do serviço em atividades como dominó, dama, palitinho, sinuca e gincanas, reforçando vínculos sociais, autoestima e o sentimento de pertencimento.
O encerramento do torneio será realizado no próximo dia 22 de maio, com as finais das modalidades e a cerimônia de premiação. Todos os participantes receberão medalha de honra ao mérito em reconhecimento à participação e às trajetórias construídas dentro do serviço. Já os vencedores de cada modalidade serão homenageados pelo desempenho ao longo da competição.
Mais do que uma disputa, a competição — organizada pelos monitores de oficinas terapêuticas Thiago Almeida e Vinícius Salvador — foi pensada como espaço de encontro, expressão e valorização das potencialidades de cada participante. A proposta dialoga diretamente com os princípios da reforma psiquiátrica brasileira e do cuidado em liberdade, defendidos pelo movimento antimanicomial.
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial é celebrado em 18 de maio e remete ao histórico Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, realizado em 1987, em Bauru (SP), marco da mobilização por um modelo de atenção humanizado, comunitário e contrário ao isolamento de pessoas com sofrimento psíquico.
Desde então, o movimento defende o fortalecimento da rede de atenção psicossocial, o respeito aos direitos humanos e a inclusão social dos usuários dos serviços de saúde mental.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada oito pessoas no mundo convive com algum transtorno mental, o que reforça a importância de estratégias de cuidado que vão além do atendimento clínico tradicional, incorporando convivência, escuta, participação social e fortalecimento comunitário.
Para Kátia Navarro Watanabe, secretária adjunta de Saúde, iniciativas como a Copa contribuem diretamente para a promoção da saúde mental e para a construção de vínculos mais humanizados. “O cuidado em saúde mental ocorre de muitas formas e passa, necessariamente, pela convivência, pela valorização das pessoas e pelo fortalecimento dos vínculos sociais. O torneio simboliza exatamente isso, um espaço no qual usuários e trabalhadores compartilham experiências, desenvolvem autonomia e celebram conquistas coletivas”, destaca.
Gerente do CAPS III Adulto Primavera, Andrea Aparecida Gesteira Vitale ressalta que as atividades coletivas fazem parte do processo terapêutico desenvolvido pela equipe. “As oficinas e ações integrativas ajudam a fortalecer a autoestima, o sentimento de pertencimento e o protagonismo dos usuários. A Copa nasceu desse desejo de criar momentos de alegria, participação e troca, reafirmando que o cuidado em liberdade também se constrói no cotidiano, nas relações e no reconhecimento das potencialidades de cada sujeito”, afirma.
Segundo a coordenação do serviço, a proposta é que a competição passe a integrar o calendário anual de atividades do CAPS, ampliando espaços de socialização e fortalecendo práticas terapêuticas coletivas.
Ação voluntária reforça cuidado coletivo
No último sábado (2), o CAPS III Adulto Primavera recebeu ação voluntária de revitalização promovida pelo projeto ‘Mãos que ajudam’, realizado por integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ao todo, 45 voluntários participaram das atividades.
Durante a mobilização, foram realizados serviços de pintura de muros e bancos, jardinagem, plantio de mudas, carpintaria e manutenção geral do espaço. A ação contou ainda com a participação de usuários e trabalhadores da unidade, fortalecendo o espírito de colaboração e pertencimento.
“Além das melhorias estruturais, a iniciativa representou gesto de acolhimento, respeito e compromisso coletivo com a saúde mental e com a construção de uma sociedade mais inclusiva e humanizada”, acrescentou a gerente Andrea Gesteira Vitale.
